O cenário de vendas em São Paulo
O mercado imobiliário da capital paulista mostrou força em abril. De acordo com dados do Secovi-SP, foram vendidas 9.588 unidades novas, gerando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 4,9 bilhões. O VGV é a soma do valor de todos os imóveis lançados.
Os lançamentos acompanharam o ritmo, com 11.620 novas unidades chegando ao mercado. Esse volume reforça que, apesar dos desafios econômicos, a demanda por imóveis novos permanece aquecida na maior metrópole do país.
O peso do segmento econômico
O grande destaque do período foi o Minha Casa, Minha Vida. O programa foi responsável por 75% dos lançamentos e 69% das vendas totais do mês. Isso mostra que o comprador busca, acima de tudo, acessibilidade.
A VSO (Vendas Sobre Oferta), que mede a velocidade com que os imóveis são vendidos, atingiu 12,1% no segmento econômico. Esse índice é superior ao dos demais segmentos, que registraram 7,3%, confirmando a preferência atual pelo custo-benefício.
O que o comprador está buscando?
A preferência por praticidade é clara. Imóveis de dois dormitórios lideraram as vendas, representando 64% do total. Quando olhamos para a metragem, unidades entre 30 m² e 45 m² foram as campeãs de liquidez.
Liquidez é a facilidade com que um imóvel pode ser transformado em dinheiro. Produtos menores e mais baratos são os que mais giram no mercado atual, pois se encaixam melhor no orçamento das famílias e nas regras de financiamento.
Por que o mercado econômico cresceu tanto?
O CEO do Secovi-SP, Ely Wertheim, explica que o avanço do Minha Casa, Minha Vida não é uma substituição definitiva dos outros padrões. O cenário é reflexo direto dos juros elevados, que encarecem o crédito para imóveis de médio e alto padrão.
Enquanto os juros estiverem em patamares altos, o segmento econômico continuará sendo o porto seguro das incorporadoras. A expectativa é que, com a queda da taxa Selic, o mercado de médio e alto padrão volte a ganhar fôlego e reequilibre a balança.
O papel do alto padrão
Embora o volume de unidades vendidas seja menor, o mercado de luxo continua relevante. Imóveis acima de R$ 5 milhões representam 26% do Valor Global da Oferta (VGO).
Isso significa que, em termos de dinheiro circulando, o luxo ainda movimenta bilhões. O mercado paulistano encerrou abril com um estoque de 85,9 mil unidades, mantendo uma oferta robusta para diversos perfis de investidores.
O que isso ensina para quem investe em Goiânia?
O comportamento do mercado de São Paulo serve como um termômetro para o Brasil. Em Goiânia, observamos movimentos similares: a busca por unidades compactas e bem localizadas segue sendo a estratégia mais inteligente para quem deseja segurança e liquidez, independentemente das oscilações da economia.
Fontes consultadas
Esta análise reúne fatos publicados por Papo Imobiliário. O texto é original de Renato Lagares Imóveis — não é republicação.
- Minha Casa, Minha Vida responde por quase 70% das vendas de imóveis novos em São Paulo

